12 de jan de 2011

Tá vendo Big Brother, negão?

Este texto é velho. Mas toda edição daquela PORCARIA de BBB eu bato na mesma tecla. e pior, COM CRISTÃO.

Amigo, vc vê bbb e acha que tá se distraindo? Então BOM PRA VOCÊ.

Sugiro que você leia 1984 do geroge orwell.




A candeia ilumina a casa. Só há Um que conhece toda a casa e que tem a chave para abrir mas é muito amoroso (e amor inclui respeito). Ele só entra quando o dono da casa permite. Isso acontece quando o dono olha para Ele e entende que apenas Ele tem a chave de misterioso formato de Cruz que pode abrir a casa, iluminar, limpar, fazer nova todas as coisas, todos os pensamentos, renovar, dar salvação. O dono da casa é você. Você um dia olhou para a cruz, entendeu e aceitou. Deus fez de você uma nova pessoa.

Seria o mesmo olhar que enxergou a cruz no calvário, apto para pousar os olhos em coisas que explicitamente têm conceitos que afrontam a Palavra de Deus? Nossa conversão é um instante; a santificação, processo para o resto da vida. Santificação é renunciar aos prazeres, aos pecados. Isso inclui entretenimento aparentemente inofensivo. Num mundo onde Satanás atua com a ferocidade de quem sabe que está derrotado (e onde a criação geme as dores e anseia a vinda do Filho do Homem) não podemos esperar que o entretenimento oferecido pelos meios de comunicação seja edificante, ou inocente. Devemos nos deleitar, descansar e ter prazer em Deus. Em nada e ninguém mais.

Vamos falar de novelas e Big Brother.

Jesus nos alerta a ter cuidado onde colocamos nossos olhos. Jesus faz referência à trava nos olhos (Mt. 7: 3). Os olhos são preciosos. A compreensão de mundo vem, em grande parte, através deles, das assimilações que se faz com a visão Os olhos abrem caminho para que a informação chegue ao cérebro, que, por sua vez, assimila, decodifica, guarda e usa quando for necessário. Muitas vezes informações que seus olhos nem sequer se deram conta, as subliminares (ah, sim, isso existe! E são as piores!) entram pelos olhos.

Ligue a Tv. As novelas exploram o fim da família (e a unidade cristã é a família), ridicularizam os caminhos corretos (aí daqueles que não andam nos caminhos propostos!). O Big Brother, expõe pessoas ao ridículo. Isso inclui também quem está fora da “casa”. Um programa que subjuga em todos os sentidos a inteligência das pessoas que voluntariamente o acompanham. Não existe um único ponto cristão, um único fruto do espírito. Todo amor é interesseiro. Toda alegria é materialista. A bondade, fingida. A fidelidade, exercida até quando for conveniente. A mansidão, própria dos “fracos”.
O objetivo é fazer das obras da carne - imoralidade sexual, impureza, libertinagem, idolatria e feitiçaria, ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções e inveja, embriaguez, orgias e coisas semelhantes - um espetáculo. A única forma de o espetáculo ter continuidade, é ser visto. Para ser visto, é preciso olhar. E os olhos são a candeia do corpo. Quando forem bons, igualmente o corpo estará cheio de luz. Mas quando forem maus, igualmente estará cheio de trevas (Lc. 11: 34-35).

Cuidado onde você põe seus olhos! Cuidado para que a luz que está em seu interior não seja apagada pelas trevas. Cuidado com o fascínio e com a escravidão do olhar. Mantenha seus olhos no alto. É do alto que veio a sua salvação. É para o alto que Deus irá nos levar. E é no alto, em Cristo Jesus, que devemos manter firme o nosso olhar: “Vocês foram ressuscitados com Cristo. Portanto, ponham o seu interesse [inclusive os seus olhos] nas coisas do céu, onde Cristo está sentado ao lado direito de Deus. Pensem [inclui alegre-se e divirta-se] nas coisas lá do alto e não nas que são aqui da terra. Porque vocês já morreram, e a vida de vocês está escondida com Cristo, que está unido com Deus” (Cl. 3:1-3 NTLH).

14 de jun de 2010

Fato real

Quem contou essa foi a amiga da minha irmã no dia do fato.

O caseiro da chácara dela tem 102 anos e tinha um filho de 86 anos.

Aí o filho de 86 anos morreu e ele disse:

"-tadinho, eu sabia que ele não iria viver muito, sempre foi tão fraquinho!"

11 de abr de 2010

Corruptíveis -

Uma brincadeira com palavras e situações. Não lembro se já publiquei aqui, então lá vai:


Corruptíveis


Ele tinha, todo domingo, 15 minutos cravados após o recolhimento dos dízimos para dar recado da programação da qual era líder. Todos o respeitavam. Pessoa bem sucedida na vida, família modelo, contribuição generosa de dízimos e ofertas. Ele não gostava de assinar seu nome no envelope, muito modesto era. Mas a quantia que depositava era considerável e, para seu infortúnio, nos cheques há o nome completo do dono. Logo, o pastor soube de sua ilustre figura e bastando um dia ter solicitado dar um recado de um minuto que as famosas palmadinhas pastorais aqueceram-lhe o ego:

- Querido irmão, você tem o tempo que quiser!

Frente com o grandioso público gospel sentado a ouvi-lo, começou a falar e viu que agradava e o recado de um minuto sobre a programação da qual era líder se estendeu para cinco minutos. No outro domingo, dez. No outro, às vésperas da tal programação, 15. E quando a programação aconteceu e os recados tinham terminado, o culto parecia não ter a mesma graça se ele não falasse. Tanto foi solicitado pelos amigos que o pastor, de bom grado, cedeu ao irmão 15 minutos para dar todos os recados, desde “as crianças podem se retirar para o culto infantil” até o anúncio das músicas que o coral cantaria. Foi de um diácono que surgiu a brilhante idéia de cotas de patrocínio.

- Mas, querido irmão – questionou o pastor – cotas de patrocínio?

- Sim, pastor. Quem dá mais dízimo, tem mais tempo de púlpito para dar ênfase ao seu aviso. Vide o irmão fulano – e deu o nome do citado rapaz do início desse texto – Gente boa merece destaque.

Nem tanto a contra gosto, o pastor concordou e este tal diácono começou a articular eventos para venda de cotas de patrocínio. Nada mais justo, programações exigem investimento, logo, qual o problema de se cobrar pelos minutos gastos no culto para anunciá-las? Alguns irmãos tinham sempre dez minutos, outros cinco minutos, aquele lá quinze, e um irmãozinho mais humilde poderia mandar um bilhete que poderia sim ou não ser lido, tudo dependia da avaliação das cotas. Todos da igreja sabiam desse trâmite - era venda de cotas de patrocínio, mas nunca dado este nome às claras – patrocínio não era uma palavra bonita, tinha conotação lá de gente que trabalha em marketing, gente do mau. Alguns irmãos não concordavam com o sistema de cotas mas, como se diz por aí, os incomodados que se retirem e estes, subversivos a favor da mensagem da cruz, iam para outras comunidades. Loucura, dizia o pastor a saber dos desertores. De resto, a igreja fingia não sabe. Dançava conforme a musica. "O importante é que Cristo seja pregado", avaliava o pastor adjunto.

Foi então que no recesso desse pastor o diácono ex-radialista assumiu a abertura do culto e, tamanha empolgação que estava, deixou escapar essa:

- Após os dízimos e ofertas, ouviremos os reclames dos nossos patrocinadores!

A congregação pôs-se a aplaudir, mecanicamente, esquecidos de que estavam em um culto e não em um programa de auditório.

Subiu o patrocinador majoritário.

- Irmãos – começou – gostaria de convidá-los para o chá dos noivos e recém casados que será feito na Padaria Nelly da Cunha, o melhor chá preto da cidade!

E falou das propriedades antioxidantes do chá nos seus minutos patrocinados e da importância dos antioxidantes na vida de um casal. O próximo que subiu fez um sorteio de um curso de massoterapia (quem ganhou foi a irmã Dalva), o outro vendeu jóias (era representante) e o último, um menino de 8 anos, timidamente pegou o microfone e disse:

- Eu quero vender meu playstat...

- BÉÉÉÉÉÉM!! – tocou a campainha do diácono. – Tempo esgotado, irmão. Pode descer.

- Mas eu nem terminei de falar o nome do meu vídeo game! – protestou o menino.

O diácono disse baixo, longe do microfone:

- Olha aqui, eu ainda deixei você falar muito pro valor que você me deu! Com cinqüenta centavos não dá nem pra comprar um pacote de halls!

Assim foi domingo após domingo até que o pastor voltou do seu recesso. O diácono solícito, se ofereceu para abrir o culto.

- O senhor ainda está cansado... – alegou, dando as famosas palmadinhas.

O pastor concordou. Que bom saber que a congregação cuida do seu pastor.

Na hora do culto, o pastor achou estranho a movimentação da igreja e os aplausos durante o anúncio das programações. Também não entendeu porque ênfase em alguns produtos que não tinha nada a ver com o culto. “Deve ser o efeito das férias”, ponderou.

Chegou a hora da mensagem.

Subiu no púlpito, abriu a bíblia e tomou um susto quando ouviu o coral cantar uma vinheta introdutória da mensagem. Quando começou a falar, tocou a campainha.

- BÉÉÉÉÉÉM.

Ignorou. Retomou:

- Irmãos... por favor, abram suas Bíblias em...

- BÉÉÉÉÉÉM.

- O que é isso? – virou para o diácono.

- Desculpe pastor, o senhor não pode falar.

- O quê???

- O senhor está usando um espaço de cortesia, porque é o pastor. Se quiser prosseguir, podemos conversar e passo as condições de pagamento. Sem isso, não dá. Sinto muito.

O pastor achou que era algum trote de mau gosto, e voltou à mensagem.

- BÉÉÉÉÉÉ!!

O pastor ignorou mais uma vez e continuou a pregação. Quando estava no ponto máximo da mensagem – o apelo – entrou a polícia na igreja, prendeu o pastor e o meteu atrás das grades pelo crime inafiançável de usar indevidamente o horário comercial.

- Não pagou, xadrez! – cuspiu o policial.

Mas o que mais magoou o pastor foi a visita do diácono. Chegou engravatado, bíblia de estudo debaixo do braço. Encontrou o pastor abatido.

- Por que você fez isso...? – perguntou o pastor.

- O senhor deu abertura para todo este processo de cotas.

- Mas não era pra virar um show, muito menos me mandar pra cadeia!

O diácono levantou, abriu a bíblia, leu um trecho sobre “trazei os dízimos na casa do tesouro...” e concluiu:

- Pastor, não me diga que não aprendeu que dinheiro não cai do céu.

Virou as costas e estava quase saindo, sem antes dizer cheio de piedade:

- Estarei orando por sua vida.

O pastor chamou:

- Espere um minuto! – o pastor se levantou - Vocês podem fazer uma vigília para que eu saia daqui?

- Lógico – respondeu o diácono.

E o pastor prosseguiu:

- Qual o valor que deposito na conta?




FIM

5 de jan de 2010

Compassion - Keeping Dreams Alive

Keeping Dreams Alive
by Ana Rafaela Santos in Brazil
and Leura Jones, Contributing Writer


Holding her newborn baby, Mrs. Gezy dreamed of a brilliant future for her little girl. Then she looked out the window at the slum they lived in. Though Fortaleza is a beautiful Brazilian city with pristine beaches, skyscrapers, and paved streets, that was not this family's reality. Instead, they lived in a small, sparsely furnished house in a neighborhood in which addicts and prostitutes–not university graduates–were the norm. This was no place for a mother to dream big dreams for her children.

Any hopes Mrs. Gezy had for her daughter were snuffed out by her husband, who started drinking and became angry and violent as their daughter grew up. Though little Jaira was joined by two younger brothers, she was the one who drew most of her father's rage.

"He never raised his hand to hit me," Jaira recalls, "but he always treated me badly. One day he told me that I would be no one."

Jaira's mother found a way to prove him wrong when she heard about the Compassion- assisted Betesda School. She registered Jaira right away. A haven for children in the neighborhood, the school offered a clean space to play, delicious food, and caring teachers that taught them principles from God's Word. In less than a year, Jaira was sponsored and became very involved in the project's activities and Bible classes. She took advantage of every opportunity, particularly the dance classes that she grew to love.

At the age of 11, Jaira began studying the Bible carefully for herself and invited Christ into her life. Her mother and brothers were soon to follow, though her parents ended up getting divorced.

Jaira stayed focused on her goal–to attend college and find a profession that would help other people. When the LDP was brought to Brazil, she says, "I knew it from the beginning, that I would participate!" She cried and thanked God the day she was accepted.

Jaira's mother has noticed a significant change in her daughter since she became an LDP student. Mrs. Gezy had often spoken to her daughter about her strong personality and bossiness, but she saw real change when Jaira joined the LDP.

"Because of the LDP student meetings, I consider myself a more understanding person. It was there that I learned to listen to people," Jaira explains. "My life has been transformed day by day; I have become more mature."

Studying pedagogy, Jaira's goal is to be in charge of a social project that will reduce injustice. Her selfless dreams come as a result of the years she spent at the project. "The project brought hope to me, it gave me the opportunity to dream again," she says. "I don't know what would have been of me if I hadn't studied all those years there."

She adds, "The largest poverty that I was released from was the spiritual poverty. The principles that the project brought to me made an impact and transformed my life."

One parent dreamed of great things for her daughter. The other told her she would be nothing. But her heavenly Father intervened to make all her dreams come true–a legacy she will be able to pass down to her own children one day.






www.compassion.com
www.compassion.org.br

:)

4 de jan de 2010

A cidade e o suicidário - II

Parte II
Primeiras impressões
(Leia a parte I aqui)

Murilo estava andando ao redor da praça, e ia pensando na lógica inversa das coisas que vivia. Um dia por semana, ouvia que o casamento era desfrutar a liberdade. Nos outros seis dias, que era prisão, afinal, teria que ficar preso a vida inteira à uma pessoa, enquanto se desfrutasse a solteirisse, seria, por assim dizer, solto. Mesmo namorando. Vivia dúbio. Junto aos amigos dos seis dias, concordava, casar, quem, eu? Para os amigos de um dia, silenciava - não iria ferir seus principios de não ter exatamente uma opinião formada. E assim vivia a sua vida, com a namorada de 5 longos anos de namoro na expectativa de um anel de noivado, e ele ali, sempre se esquivando, sem saber ao certo se casava ou não. "O único modo de você saber é casando", disse uma amiga sua, daquelas do dia do casamento como liberdade."Mas e se for prisão?", "você se liberta, ué, e separa. Você é novo. Tem quantos anos mesmo? 22?". Simples assim era essa sua amiga. Ia lá Murilo pensando nessas coisas, casar, não casar, quando viu aquele monte de homem ali no meio da praça levantando uma estrutura de concreto. Não pareca um prédio, nem uma arena, como até pensou que fosse. Até ocorreu comemorar: "finalmente um teatro de arena nesta cidade", mas não deu tempo, não era uma arena. A curiosidade impediu mais delongas nas especulações e perguntou:

- Hey, o que é isso?
- É um suicidário! - gritou um dos pedreiros, do outro lado da obra.
- Ah! - exclamou Murilo. - Finalmente um suicidário nesta cidade!

Disse isso, e seguiu em frente, voltando às suas conjecturas sobre casamento. Decidiu que iria se casar sim. Qualquer coisa, tinha um suicidário e perto da sua casa. "Finalmente!", suspirou aliviado. "Agora sim, tenho a liberdade ao meu dispor".

Na obra, um dos pedreiros comentou com um colega que achava estranho que ninguém da cidade achava estranho um local para se cometer suicídio, assim. O outro fez o sinal da cruz e disse que preferia não pensar no que ele estava fazendo. Não concordava, mas tinha que botar o pão na mesa para seus filhos. Era trabalho, apenas trabalho.


(continua)

30 de dez de 2009

A cidade e o suicidário - I

PARTE I
A ideia.



- Não me parece coerente - suspirou o prefeito, indeciso.
- Pois é sim, pode acreditar em minha proposta. As pessoas vão se sentir livres e, sentindo-se assim, vão se acabar os problemas. Qual o nosso único limite, senão a morte? Tanto a morte nos coloca limite na vida, quanto a vida coloca em nós o limite de pisar no território da morte. E quem ultrapassa esse limite por conta própria já quebrou barreiras sociais inimagináveis.
- O senhor sabe o quanto os suicidas foram rejeitados pelos séculos...
- Nem em cemitérios dignos podiam ser enterrados.
- E mesmo depois de mortos, eram mal vistos pela igreja.
- Na verdade, até hoje alguns continuam sendo.

O prefeito levantou. Andou pela sala. Parou em frente a janela e ficou ali por um tempo.

- Liberdade, senhor. Seremos a primeira cidade no mundo a conceder a verdadeira liberdade para as pessoas.

- "Invólucro mortal..." - disse o prefeito entre os dentes, fazendo referência à continuação do famoso monólogo de Hamlet, "ser ou não ser". Disse, mas não foi ouvido.

Finalmente virou-se para o conselho e perguntou:

- Mas se a questão é que isso continua sendo um tabu e, como vocês mesmos disseram, os suicidas continuam sendo rejeitados, vistos como covardes, ou condenados pelos vivos ao inferno, ou a um outro carma, não estaremos, então, apenas piorando a situação?

- De forma alguma. É uma mudança de cultura. Pode levar alguns anos, mas seremos uma cidade pioneira na questão de quebrar o último grande paradigma da sociedade.

- Valores religiosos são ultrapassados. Só restou a morte.

- Será um grande passo.

O prefeito não se mostrava nem contra, nem a favor. Fez, então, a pergunta que todos sabiam que, se a resposta fosse "sim", o projeto estaria aprovado:

- E o que o pessoal acha disso?

A resposta foi óbvia e com alegria contida:

- O pessoal adora!

- Pois então, eu, como prefeito desta cidade, aprovo o início da construção da Primeira Obra Pública para Suicídio Legalizado.

E assim, começaram a construir o suicidário.

(continua)

10 de nov de 2009

O problema da depressão

Perguntarão pela tua alma
A alma que é ternura,
Bondade, Tristeza, Amor.
Mas tu mostrarás a curva do teu vôo
Livre, por entre os mundos...
E eles compreenderão que a alma pesa.
Que é um segundo corpo,
E mais amargo,
Porque não se pode mostrar,
Porque não se pode ver...
(Cecilia Meireles)



A mente escurece. Um turbilhão de maus pensamentos cegam a visão. Os temores mais infundados - desde o bicho papão dentro do armário até a queda do avião que talvez você nunca embarque - saltam ao primeiro plano da mente e do coração e se tornam reais. É como se a prisão onde escondemos os medos e temores fosse aberta sorrateiramente e os presos saíssem de lá, saqueassem a cidade e matassem os moradores. O choro se rompe e em poucos instantes deixa de ser a única forma de expressar o medo do escuro que a mente se encontra. Você chora, mas não existem mais lágrimas. O corpo treme inteiro, o coração palpita. Desespero, insegurança, ansiedade, medo, muito medo. A sua mente acusa, e acusa, e continua as acusações, e levanta tudo o que você já fez de errado e te acusa, e levanta tudo o que você fez de certo e subverte tudo como se fosse errado, viu só o que vocês fez? Inclusive estar sofrendo desse jeito é culpa sua, só sua!, ela ainda faz questão de dizer. Ela fala contra você, você sabe que é você falando contra você, e então a tortura fica pior, porque você se vê completamente impotente de se auto-controlar e mandar os pensamentos embora. Não há saída, não há alegria, parece tudo o que você construiu de segurança e auto imagem até agora é um castelo de cartas. Um ventinho bobo, e tudo desmorona. Sua estrutura emocional se quebra. Os segundos se tornam horas e o relógio é uma arma letal apontada para sua cabeça, pronta para disparar. E você fica ali, acuado, vítima e algoz de si mesmo.

É dificil para quem está em meio a uma tristeza profunda e sem explicação eliminar o algoz da mente. Só quem experimenta essa experiência consegue entender o que é estar preso na sufocante solitária que a sua própria alma se encarcera. Fui procurar em um livro muito conhecido o que ele fala sobre a depressão e curiosamente (ou não), depois de escrever essas linhas, achei a seguinte expressão em uma das páginas que descrevia o sofrimento: "Tira a minha alma do cárcere". A alma se encarcera. Tira a minha alma do cárcere. Seja lá quem for, tire a minha alma do cárcere!

Eu não quero escrever para quem convive com uma pessoa que sofre disso. Eu quero escrever para quem entende exatamente o que eu estou falando. E quero escrever também para aquele lado meu que me tranca dentro do meu próprio quarto de oração e me judia. A depressão maltrata, por mais leve que ela seja, por mais que você que está me lendo tome a dosagem mínima de fluoxetina.

Dizem que a doença do século 21 é a depressão. Fiquei pensando nisso. E pensando também em porquê, porquê é a depressão, e não uma peste bubônica ou mesmo uma gripe? O que aconteceu com nós, humanidade, que saímos da esfera das doenças que atingem a carne para as doenças que atingem a alma? Que vírus mutante é este que agora é capaz de usar nós mesmos como assassinos, ladrões, blasfemos e adúlteros e carcereiros de nossa própria alma?

Deixa eu te falar uma coisa: você não consegue sair do seu cárcere. Você não tem a chave da sua própria alma. O máximo que sua voz rouca e seu choro sem lágrimas vai conseguir fazer é, talvez - talvez! - acalmar o sequestrador ou, pior, se acostumar com o cativeiro. A sombra do vale da morte vai sempre rondar a sua alma e tirar as cores da sua vida. Não estou falando aqui que remédios são ineficazes, ou terapias não resolvem. De forma alguma. Estou tentando fazer que você entenda que remédios agem no bioquímico, terapeutas e psiquiatras agem na sua mente, mas a sua alma, de onde emana a dor dilacerante e também a alegria e a simplicidade de se estar vivo, essa sim, nem você tem a chave.

Nós temos um inimigo. Ele se chama satanás, que significa acusador. Espere! Por favor, continue lendo. A sua alma pesa como um segundo corpo, a minha as vezes também. Por favor, continue lendo. Você ouve tantas coisas por aí, sei que talvez a sua cultura ou sua experiência com cristãos possam querer fazer repudiar a leitura neste ponto, mas eu te peço uma chance de me ouvir.

Esqueça tudo o que você já ouviu a respeito de Deus e do diabo. O diabo não é um ser vermelho, baixinho, com tridente, pés de bode, e sorriso sarcástico. Não. Isso não amedronta nem criança. Sabe quem é o diabo? Sabe quando você está começando a entrar em sua crise de tristeza e de repente você sente uma desesperança extrema, um desespero, uma total falta de confiança em Deus, a falta do chão, sua mente te acusando, lembranças ruins sendo levantadas, coisas que você já tinha esquecido de repente surgem? Muito prazer, este é satanás. E ele odeia você em um nível inimaginável. O que for preciso fazer para que você se sinta pior, se sinta um nada, queira morrer, se questione qual o motivo da vida, culpe Deus por tudo, ou culpe outras pessoas caso você não creia em Deus, ele vai fazer. Ele aproveita o seu momento de fraqueza - no caso aqui, a depressão - e te aprisiona na sua mente. Ele é inteligente, muito mais do que eu ou você. Ele sabe que eu e você, durante a nossa crise, vamos achar que a culpa é nossa, nunca dele, afinal, diabo é vermelho, tem tridente, e, quer saber? Ele não existe, não é mesmo?

Não vou dar aqui espaço para ele.

Não quero ficar explorando o cativeiro, mapeando a prisão.

Eu quero falar da chave.

Não sei qual é a sua concepção de Deus, mas me arrisco a dizer que o básico você conhece: que Deus está no céu, e Ele diz que existe um inferno, e Jesus é seu filho, e teve a cruz, e Pilatos, as mãos lavadas, e a ressurreição, e os discípulos, cristãos mortos, servindo de comida aos leões. A história do cristianismo tem sangue derramado, lágrimas, dor e esperança. Porque um dia o homem desobedeceu à Deus e decidiu, por conta própria, mergulhar neste labirinto difícil que é a alma humana, e por vontade própria entramos na prisão de satanás.

Então vem Jesus, aquele que eu sei que você já ouviu falar. Mas talvez você não conheça sua face amorosa. O amor dele é tão é tão grande, tão imensurável e tão difícil de compreender que muitos de nós preferem viver sem ele do que acreditar – e se render – que ele já nos libertou da prisão e do terrível castigo de se viver longe do Criador por toda a eternidade. A chave que abriu esta prisão tem forma de cruz, é manchada de sangue. Não existe outra chave. É crer nisso ou escolher fechar a porta da prisão e colocar suas próprias algemas. Jesus morreu para que nós tivéssemos vida.

É, como já disse Agostinho, a morte da morte na morte da cruz.

Não sou simplista a dizer que a queda do homem se resumiu à esfera física. Acredito que isso mexeu com todo nosso organismo. A depressão, inclusive, é uma das conseqüências dessa queda. E não deixa de ser uma transgressão, porque quando ela ataca, muitas vezes nos rendemos à ela ao invés de lutarmos contra. Igual um mentiroso que mente compulsivamente. É preciso lutar contra a depressão. Ela vem, mas é preciso lutar!

Quando a mente escurece, é difícil, senão impossível, iluminarmos novamente. É por isso que existe aquele livro que mencionei lá em cima, sabe? Que é a Bíblia. “Tira a minha a minha alma do cárcere!”. Esse foi o grito de um homem desesperado que correu ao Deus que o conhece. Davi, um homem segundo o coração de Deus, não foi um super homem. Ele sofreu, ele ficou deprimido, mas ele gritou por socorro: Senhor, tira a minha alma do cárcere!

Quantas vezes durante os medos mais angustiantes e irreais que minha alma insistia em acreditar, eu corri para este salmo, o 142. Senhor, eu ergo a minha voz, eu suplico, eu coloco diante do Senhor as minhas queixas, minha tribulação. Aqui, dentro de mim, meu espírito está desfalecendo, ele pesa como um segundo corpo, é amargo porque não se pode mostrar, porque não se pode ver, mas o Senhor vê, porque o Senhor me formou no ventre de minha mãe, nenhum dos meus ossos estão encobertos, O Senhor é o meu refúgio, atende minha oração, pois estou muito fraca. Senhor, tira minha alma do cárcere!

É difícil orar. Por isso que o Espírito Santo nos ajuda em nossa fraqueza e intercede por nós com gemidos inexprimíveis – Deus entende a nossa alma. Ele tem a chave. Como somos fracos! Nem orar conseguimos quando estamos quebrados!

A Bíblia é uma carta de amor. Não são palavras mágicas. São palavras que incendeiam a alma, alimentam, animam, dão forças. Alimentar-se diariamente dela, estar sensível à voz de Deus, é o que nos torna fortalecido para estes momentos.

“Temos ainda mais firme a palavra dos profetas, e vocês farão bem se a ela prestarem atenção, como a candeia que brilha em lugar escuro, até que o dia clareie....”, escreveu Pedro em sua segunda carta. Estar cheio do Senhor é ter uma candeia acesa na alma e, quando a depressão que é inevitável (porque tem as evitáveis – mas isso dá um outro texto) chega, a palavra de Deus guardada no coração inflama e ilumina o lugar escuro da sua alma. As vezes o processo é dolorido, porque a escuridão é tão densa que, assim como foi uma das pragas do Egito, a gente talvez pense que seja possível toca-la. Mas Jesus é a luz do mundo, é a luz da sua alma, clame por ele, grite por ele, chore a seus pés quando sua alma estiver dolorida, mesmo que a escuridão seja densa e você não o veja, e o mar tente engolir você. Não transgrida o amor que Deus tem por você tentando resolver seus problemas sozinhos. Você não consegue, você não tem forças.

Satanás aproveita esses resquícios da queda para cegar você, fazer você acreditar que as bênçãos de Deus na sua vida são frágeis e que podem se quebrar a qualquer momento. É ele a voz que acusa, que traz lembranças doloridas à sua mente. Ele se aproveita da sua fraqueza. Satanás é o príncipe desse mundo, já atingiu a humanidade na carne, e agora ele lança flechas na sua alma, porque ali dentro ele sabe que você acha que só você tem acesso e então você vai querer se resolver por si mesmo e, ponto para Satanás, mais uma coroa da criação que desmonta, porque quer se resolver sozinha sem a ação de Deus. Mas você não tem acesso à sua alma, tão pouco ele. Só Jesus tem acesso! Mesmo que você não creia de todo coração em Cristo, ou seja um ateu que está lendo esse texto só para ver “até onde vai o discurso dos cristãos”, Jesus ama você, ele já morreu por você. No seu desespero, quando a escuridão vier, chame por ele, ele vai abraçar você, mesmo que você tenha lutado contra ele a sua vida inteira, ele ama você, eu tenho certeza disso!

Existe um versículo que diz que precisamos levar todo o nosso pensamento cativo à Cristo (2 Coríntios 10.5). Se Cristo nos diz isso, é porque ele sabe o quão nocivo nossos pensamentos são para nós mesmos. Quando algo ruim começar em sua cabeça, leve ele para Jesus. Senão, logo você se torna prisioneiro dos seus pensamentos e preocupações. Jesus, conhecendo-nos, dois mil antes de nosso nascimento, perguntou: “Observem as aves do céu, elas não semeiam, nem colhem... contudo, o Pai as alimenta. Não tem vocês muito mais valor do que elas?” (Mateus 6:25) Isso é um desafio. Você, durante a sua crise, que se acha a mais desprezível e sem graça das criaturas, dona do seu próprio tempo e suas próprias ações... escuta, você não tem mais valor que as aves do céu? Me responda! Você tem ou não tem? Você é capaz de acrescentar uma hora a mais no seu dia quando o relógio é uma arma letal? Quantos fios de cabelo você tem na sua cabeça? Onde você estava quando Deus lançou os fundamentos da terra? Você faz idéia de quão imensas são as áreas da terra? Você conhece as leis do céu? Pode determinar o domínio de Deus sobre a terra? Você não vale mais do que as aves do céu? Quem é a coroa da criação? Por quem Jesus morreu? Por que está abatida a sua alma? Quem pode te libertar do cativeiro?


Jó 38 e 39. São perguntas de Deus para nós quando nossa alma se posa de arrogante e dona de si mesma.

As medicações vão minimizar a dor exterior.
A terapia vai dar um alento.
Mas a paz na alma é só Jesus.

Por favor, não se encarcere.

Quando sentir as firmes pisadas de seu algoz se aproximando de você, balançando o molho de chaves das solitárias que ele te tranca, grite. Grite, grite alto, grite na sua alma, Senhor, Senhor, Jesus, livra a minha alma do cárcere! E Ele livra. Ele faz a prisão tremer e as portas se abrirem para você fugir. Ele pega você no colo, afaga seus cabelos, e diz “o papai está aqui, não tenha medo, o papai está aqui”. O bicho papão volta para o armário. Você pode seguir alguns dias ainda chorando por causa do susto, como uma criança que tem medo do escuro, mas o Pai estará segurando você nos braços, te apertando, e dizendo “não tenha medo, o papai está aqui”, até você ficar bom. E então, ele abre a porta e te mostra o jardim, e você vai alegrar o coração dele, sorrindo, brincando e vivendo as coisas simples da vida que ele deu à você.


:)


"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará"
João 8:32